Os recordes da geração solar

Os recordes da geração solar
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Atualmente, a geração solar representa 2% da matriz elétrica brasileira. O valor pode chegar a 2,6% até dezembro de 2021. Veja o crescimento.

Em setembro, a geração solar bateu três recordes diferentes de produção de energia, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O primeiro foi no Sistema Interligado Nacional (SIN), com um pico de geração instantânea de 3626 MW. Esse valor representa 4,7% da demanda do Brasil.

Na mesma data, dia 28 de setembro, a geração solar instantânea no Nordeste alcançou 2624 MW, o suficiente para atender quase 22% desta região. Já no Sudeste/Centro-Oeste, a região também registrou uma marca inédita para a geração instantânea fotovoltaica com a produção de 1056 MW, representando 2,4% da demanda do subsistema.

A geração solar e a crise hídrica

O Brasil vive a maior estiagem dos últimos 91 anos, que tem afetado diretamente a geração de energia. Afinal, a maior parte da produção de energia é produzida por hidrelétricas e os reservatórios estão com uma média de 20 a 30% de sua capacidade.

Em agosto, em meio à crise hídrica e o agravamento da situação dos reservatórios, o país registrou recorde de geração de energia térmica, solar e eólica, aponta levantamento feito pelo G1 com base em dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico. Segundo os números, neste mês, a geração termelétrica foi de 19.009 megawatts-médios (MWmed). Já as usinas eólicas produziram 11.111 MWmed e as solares, 870 MWmed.

Embora a representatividade da energia solar ainda pareça pequena frente a outras fontes, ela se torna fundamental para o momento. A projeção do ONS é que, em 2025, a energia solar represente 4% da matriz energética brasileira e a energia eólica chegue a 13% do total. As hidrelétricas devem cair de 65% para 59%.

Segundo o Atlas Águas – Segurança Hídrica do Abastecimento, lançado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Brasil precisa investir ao menos R$ 110 bilhões até 2035 para que os municípios atinjam segurança hídrica. Vale ressaltar que essa segurança é relativa a toda a cadeia, desde o abastecimento da população até a produção energética.

Os recordes da região Nordeste

Diferentemente das outras regiões do país, a região Nordeste vem batendo recordes na geração solar. Desde julho de 2021, época de inverno, a produção na região já alcançava altos números. No dia 19 de julho, a geração instantânea alcançou 2211 MW e o número recorde do pico vem crescendo substancialmente ao longo dos meses.

A região Nordeste abriga a maior parte das usinas solares fotovoltaicas e eólicas no Brasil e também gera energia que é exportada a outras regiões, tendo mais de 2,4 GW de usinas fotovoltaicas em operação. Ou seja, cerca de 70% da capacidade instalada de geração centralizada no Brasil.

De modo geral, além das grandes usinas, os pequenos sistemas de geração solar, aqueles instalados em telhados de residências e empresas, triplicaram sua geração nos últimos 12 meses. Em agosto, esses sistemas atingiram 3 GW de potência instalada, suficiente para abastecer 1,2 milhão de casas.

Segundo o Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado no Ceará (Sindienergia/CE), houve um crescimento de 60% no número de unidades de painéis solares instaladas no estado, comparando o período entre janeiro e agosto de 2021 e os mesmos meses do ano passado.

Assim, o setor espera um crescimento ainda maior em 2022 devido à crise hídrica, que deve continuar sobrecarregando os gastos com energia até meados de 2022. Além disso, a aprovação do marco legal da geração distribuída, que traz segurança jurídica para o setor também deve ser um fator de impulsão. Para entender melhor sobre o crescimento dessa fonte, leia o conteúdo sobre o crescimento da energia solar no Brasil e no mundo.

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