A importância do hidrogênio na transição energética

A importância do hidrogênio na transição energética

Qual a influência do hidrogênio na transição energética e quais as perspectivas para o Brasil no desenvolvimento dessa fonte de energia?

A energia gerada a partir do hidrogênio tem tudo para se tornar uma das fontes mais importantes para a descarbonização mundial. Na COP 26, por exemplo, muitos países se comprometeram a diminuir o uso de combustíveis fósseis e outros a se tornarem carbono zero até 2050. Para atingir todas essas metas, o hidrogênio é o elo necessário para impulsionar uma transição energética cada vez mais rápida.

Nesse sentido, é inegável dizer que o Brasil tem papel estratégico na descarbonização mundial. Afinal, boa parte da sua produção energética já é renovável, com elevada capacidade de geração solar e eólica, transformando o país em um possível exportador de hidrogênio verde no futuro. Entenda melhor essa relação.

O que é o PNH2?

Em maio de 2021, foi publicada no Diário Oficial da União a Resolução que determinou a realização de um estudo para proposição de diretrizes para o Programa Nacional de Hidrogênio (PNH2). Esses estudos mostraram que serão necessários muitos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para cobrir as lacunas de conhecimento técnico-científico e soluções tecnológicas preponderantes para a criação de uma cadeia produtiva dessa fonte no país.

O Plano Nacional de Energia 2050, elaborado em 2020, apontou o hidrogênio como uma tecnologia disruptiva e elemento de interesse para a descarbonização da matriz energética. Para viabilizar esse caminho, o Ministério de Minas e Energia indicou à empresa de Pesquisa Energética, o interesse de desenvolvimento de tecnologias relacionadas a esse tipo de produção.

Assim, em 2021, foram publicadas as “Bases para a Consolidação da Estratégia Brasileira do Hidrogênio”, que aborda o panorama do mercado, rotas tecnológicas, custos, desafios e amplificação de políticas públicas. Uma das rotas já consideradas mundialmente são as tecnologias para adequação dos resíduos sólidos e a viabilidade de produzir hidrogênio a partir desse tratamento. Atualmente, já existem cases de sucesso desses projetos no Japão e Índia, que utilizam o processo de gaseificação de biomassa para produzir hidrogênio.

O papel do hidrogênio na transição energética

O uso do hidrogênio como fonte de energia já é uma realidade. Assim, é possível utilizá-lo para gerar eletricidade, abastecer veículos e equipamentos. Contudo, o hidrogênio produzido em larga escala é o chamado hidrogênio cinza, que gera emissão de carbono. Ele é utilizado em indústrias químicas, petroquímicas, siderúrgicas e alimentícias. As estimativas atuais são que apenas 4% a 6% do hidrogênio produzido no mundo seja do tipo verde. Ou seja, o mercado limpo ainda precisa se desenvolver. Há estimativas que essa produção deslanche entre 2025 e 2028, com taxas anuais de crescimento elevadas a partir daí.

Portanto, o grande desafio do setor é viabilizar a produção de hidrogênio verde, que é produzido a partir da eletrólise da água, utilizando energia de fontes renováveis, como eólica, solar, hidrelétrica ou biomassa. Assim, todo o processo se torna limpo, sem gerar ônus ao meio ambiente.

Dessa forma, essa fonte se tornou prioridade na estratégia de energia e atingimento das metas climáticas, sobretudo, por trazer uma alternativa para setores de difícil abatimento de emissões de carbono. Além disso, a fonte também possibilita o armazenamento de energia e favorece os setores de indústria e transporte. Mesmo nos transportes leves, o hidrogênio tem papel importante, trazendo mais uma alternativa tecnológica para o processo de eletrificação de veículos.

Vale ressaltar que as pesquisas sobre o hidrogênio no Brasil não são recentes, apenas não foram priorizadas. No passado, com a crise hídrica dos anos 2000, o hidrogênio foi cogitado como opção, porém, os custos de implantação e as tecnologias necessárias dificultaram o desenvolvimento. Hoje, 20 anos depois, muitos avanços ocorreram na área, trazendo expectativas otimistas para o mercado.

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