Mercado global de carbono: entenda o principal avanço da COP 26

Mercado global de carbono: entenda o principal avanço da COP 26
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O mercado global de carbono foi aprovado na COP 26 e tem o objetivo de criar um fluxo de compra e venda de créditos para descarbonizar a matriz energética mundial.

O mercado de carbono surgiu a partir de 1997, na COP 3, no Japão. Foi com o Protocolo de Kyoto que foram instituídas as primeiras regras para os mercados regulados e a permissão para criação de mercados voluntários. De lá para cá, países foram aderindo ao mercado e criando iniciativas próprias.

Em novembro de 2021, aconteceu a 26ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 26), que foi marcada pela aprovação do mercado global de carbono. Com ele, os países poderão negociar créditos conforme a quantidade de emissões ou reduções dos Gases do Efeito Estufa (GEEs).

Depois de anos de espera, houve a finalização do chamado “livro de regras” do Acordo de Paris, que agora será substituído pelo novo mercado de carbono, cujas regras básicas foram definidas por decisão consensual entre mais de 190 países.

O que é o mercado global de carbono e quais as regras?

Com o novo mercado global de carbono, os governos poderão adotar metas nacionais e repassá-las para agentes econômicos, como o setor privado, que antes não tinham obrigação legal de redução no Brasil, exceto para empresas do setor de combustíveis.

Além disso, tanto países desenvolvidos e os em desenvolvimento poderão criar ações para diminuir a poluição e monetizar a partir disso. Ou seja, as nações que se adequarem poderão rentabilizar com a sustentabilidade. Nesse sentido, surge um novo nicho do mercado — que já está em crescimento — que são os modelos de geração de energia limpa e renovável ou tecnologias de descarbonização, como a captura de carbono.

Para realizar a compra e venda no mercado, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono, que pode ser negociado no mercado internacional. Além disso, cinco outros gases (metano, óxido nitroso, hidrofluorocarbonos, perfluorocarbonos e hexafluorsulfúrico) podem ser convertidos em créditos por meio do conceito de carbono equivalente. Para o atingimento das metas, além do comércio das emissões, também foi previsto a implementação conjunta e mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL).

O que é a captura de carbono?

Além do mercado de carbono, o reflorestamento e sequestro de carbono pelo solo por técnicas de cultivo regenerativas estão entre as ferramentas para atingir as metas estipuladas. Contudo, é preciso utilizar algum tipo de tecnologia para reduzir as emissões dos GEEs. Assim, a captura e o armazenamento de carbono têm sido vistos como possíveis soluções para reduzir os impactos das mudanças climáticas.

A captura e armazenamento de carbono podem ser implementados e desenvolvidos em usinas termelétricas ou indústrias, por exemplo, com os sistemas de Captura, Uso e Armazenagem de Carbono (CCUS). Assim, mesmo que a fonte de geração de energia não seja proveniente de uma fonte limpa, é possível se comprometer com as metas de descarbonização.

Os Estados Unidos e a China já utilizam esse modelo, mas o Brasil também pode entrar na disputa. Segundo especialistas do setor de energia, um projeto-piloto poderia ser desenvolvido nos programas de Pesquisa e Desenvolvimento da ANEEL com o subsídio de fundos internacionais.

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), até 2050, será preciso manter 40% das atuais usinas térmicas do mundo. Ou seja, é preciso desenvolver meios que permitam que a geração de energia de setores industriais ocorra sem, necessariamente, gerar GEEs.

Portanto, o mercado global de carbono é uma iniciativa que tem tudo para acelerar a descarbonização das matrizes energéticas. Para saber mais sobre a matriz energética brasileira, leia o conteúdo no blog.

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