Como a geração térmica impactará a conta de energia em 2022?

Como a geração térmica impactará a conta de energia em 2022?
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Com a crise hídrica e a necessidade da geração térmica, as contas tiveram e ainda vão ter aumentos que se estendem até o próximo ano.

Desde final de 2020, com as metas de chuvas não atingidas, o setor de energia já se preparava para a acionar a geração térmica e, consequentemente, o aumento nas contas. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a quantidade de energia gerada por usinas termelétricas em janeiro de 2021 foi a maior para o mês desde 2015. Foram 13.436 megawatts médios de energia termelétrica, representando 18,8% de toda energia consumida no país naquele mês.

Com a escassez de chuva, a energia termelétrica se torna opção. Porém, esse modelo é mais caro, gerando aumento nas contas de luz, além de utilizar combustíveis fósseis, como óleo e gás natural, impactando o meio ambiente negativamente. Assim, com esse cenário, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê para 2021 o maior aumento médio das tarifas desde 2018 e os reflexos poderão ser estendidos até 2022.

O que são as bandeiras tarifárias?

Desde 2015, as contas de energia passaram a contar com um sistema de bandeiras tarifárias. Tal qual um semáforo, as bandeiras tem o objetivo de trazer mais transparência e clareza para os aumentos. As bandeiras são verde, amarela e vermelha, sendo a última com dois patamares. Elas apontam como anda as condições de geração de energia no país e sinalizam o que deve ser repassado para o consumidor final.

Assim, durante a bandeira verde as condições são favoráveis para produção energética, sem nenhum acréscimo tarifário. Na bandeira amarela, as condições são menos favoráveis e há um pequeno acréscimo. Na bandeira vermelha, existem dois patamares e, atualmente, está vigente a bandeira vermelha patamar 2.

Desde o início do ano, a situação da crise hídrica foi se agravando e as expectativas para as chuvas deste ano não são as melhores. Assim, o governo federal já começou a veicular campanhas de conscientização do uso de energia e água.

Para manter os custos adicionais com o acionamento das térmicas, a Aneel já divulgou um novo aumento de 52% do valor da bandeira vermelha patamar 2. A partir de julho, a taxa passa de R$ 6,243 por 100kWh consumidos para R$ 9,49 por 100Kwh. A área técnica da Aneel defendia um aumento de 84% para arcar com os custos.

Por que a geração térmica vai impactar as contas em 2022?

Como a situação ainda não está normalizada e não há previsão para restabelecimento da geração energética hídrica, os impactos se estenderão por todo 2021 e também 2022. Para esse ano, a geração térmica terá um custo de R$ 9 bilhões. Somente entre janeiro e abril deste ano o custo foi de R$ 4,3 bilhões. Os demais R$ 4,7 bilhões são calculados de maio até novembro. Segundo o diretor de geração da Aneel, André Pepitone, esse custo adicional também impactará as contas em 2022 com um aumento de 5% da tarifa.

Esses gastos estão sendo destinados, além da geração térmica, para a viabilização de antecipação de obras para dispor de mais capacidade de geração no país. A ANEEL está buscando despachos das chamadas usinas Merchant, que não possuem o contrato de comercialização de energia elétrica no ambiente regulado (CCEAR), como térmicas de Uruguaiana, Termonorte e Araucária. Além disso, a entidade acredita na comunicação para uso racional de água e energia, bem como o incentivo do consumo industrial fora do horário de pico.

Portanto, para os próximos anos, a expectativa do ONS é que a geração eólica, solar e outros modelos se desenvolvam. Dessa forma, o país não ficará dependente de uma única fonte que esteja atrelada a condições climáticas. Para saber mais sobre fontes alternativas, leia o nosso conteúdo sobre o potencial dos biocombustíveis no país.

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