Brasil e as emissões de títulos verdes

Brasil e as emissões de títulos verdes
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Em 2021, o Brasil somou R$ 100 bilhões em títulos verdes emitidos. O país cresce nas emissões, mas o modelo ainda é pouco representativo.

Os títulos verdes ou os green bonds são instrumentos financeiros que ajudam a compor o financiamento climático com objetivo de mitigar os danos causados ao meio ambiente devido ao uso de combustíveis fósseis, desmatamentos e outras ações antrópicas.

Em 2015, um acordo para combater as mudanças climáticas foi firmado por 195 países que se comprometeram a intensificar ações e investimentos para estimular uma economia de baixo carbono.

Além das ações diretas para diminuir a média global de temperatura, os países também se comprometeram a contribuir com outras ações, como uso de energia limpa, melhor uso da terra disponível e investimentos financeiros em causas associadas à manutenção do meio ambiente.

O que são os títulos verdes?

Os títulos verdes ou green bonds são títulos de renda fixa utilizados para captar recursos com objetivo de implantar ou refinanciar projetos que tenham objetivo positivo do ponto de vista ambiental ou climático.

O que os caracteriza é justamente a destinação de recursos ou use of proceeds. Ou seja, o dinheiro captado é carimbado e só pode ser destinado para o projeto específico que foi declarado pela empresa ou governo no momento da emissão.

Os enquadráveis para emissão dos títulos são denominados projetos verdes e são alternativas importantes para financiar novas tecnologias, atraindo investidores institucionais, com fundos de pensão, de previdência e seguradoras.

Os tipos mais comuns de projetos associados à emissão de títulos verdes são energia renovável, eficiência energética, prevenção e controle de poluição, agricultura e pecuária sustentável e transporte limpo.

Organizações como a Agência Internacional de Energia, o Banco Mundial e o World Resource Institute (WRI) estimam que os investimentos necessários para a transição energética podem chegar a US$ 5 trilhões anuais, um volume de recursos muito maior do que é investido atualmente.

As primeiras emissões de títulos verdes foram realizadas pelo Banco Europeu em 2007. De lá para cá, o mercado experimentou um amplo crescimento e as emissões já ocorreram em mais de 25 moedas e em dezenas de países. Os benefícios desse tipo de investimento é que ele traz diversificação para os investidores e traz ganho reputacional. Além disso, dá transparência aos recursos investidos e converge com objetivos governamentais na mitigação dos impactos negativos ambientais.

Títulos verdes e as emissões no Brasil

Entre os números de emissões de títulos verdes, o Brasil é responsável por 30,7% dos valores totais dos países latino-americanos. No mercado brasileiro, as opções de títulos de renda fixa disponíveis, como CRI, CRA, letras financeiras, notas promissórias e debêntures podem ter a sua adicionalidade ambiental ou benefício climático reconhecidos. Por isso, o país tem um grande potencial de crescimento.

Em 2021, as emissões de títulos verdes cresceram exponencialmente no Brasil, atingindo R$ 100 bilhões. Contudo, para especialistas do mercado, o setor ainda pode crescer muito mais, pois houve uma demora para o início dos investimentos. Assim, outros países da América Latina, como Chile e Colômbia já estão mais desenvolvidos.

No país, nos últimos dois anos, houve uma predominância de emissões vinculadas às metas de sustentabilidade do Brasil, assim como a pandemia foi um impulsionador importante para um maior investimento ESG. Embora seja um título que possua os mesmos juros que os demais, os títulos sociais carregam o benefício reputacional, que permite acessar novos mercados e investidores.

Portanto, os números nacionais e internacionais revelam que há cada vez mais recursos sendo captados para financiar projetos verdes ou para catalisar a agenda ESG de empresas. Cabe agora ao governo e aos investidores, voltarem a atenção para um ativo tão importante e rentável. E você, o que acha do tema? Acredita ser um bom investimento?

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