Biogás ganha novo papel estratégico no sistema elétrico brasileiro

Biogás ganha novo papel estratégico no sistema elétrico brasileiro

Durante muitos anos, o biogás ocupou um espaço relativamente bem definido na agenda energética brasileira. Sua importância era associada principalmente ao aproveitamento de resíduos, ao tratamento de efluentes, à produção de energia no meio rural e, mais recentemente, à expansão do biometano como substituto renovável do gás natural e de combustíveis fósseis. Essa trajetória continua relevante, mas uma nova dimensão começa a surgir à medida que o sistema elétrico brasileiro passa por uma transformação estrutural.

A rápida expansão da geração solar e eólica está alterando não apenas a composição da matriz elétrica, mas também a dinâmica de funcionamento do Sistema Interligado Nacional. O Brasil continua aumentando sua capacidade renovável, porém a discussão já não se limita à quantidade de energia limpa disponível. Torna se cada vez mais importante avaliar quando essa energia é produzida, por quanto tempo permanece disponível e quais recursos podem ser acionados quando geração e consumo não coincidem.

É nesse novo ambiente que o biogás começa a ganhar uma função adicional.

A Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente, Abrema, passou a defender que usinas de geração elétrica a partir do biogás produzido em aterros sanitários possam ser consideradas em futuros mecanismos destinados à contratação de recursos capazes de responder às necessidades operacionais do sistema elétrico. Em entrevista à agência eixos, a entidade argumentou que essas instalações possuem uma característica que merece ser considerada no planejamento: o combustível pode ser produzido continuamente a partir da decomposição dos resíduos e utilizado para gerar eletricidade de forma controlada, respeitando as condições técnicas de cada empreendimento.

A proposta aparece justamente em um momento em que o Brasil estrutura seus primeiros leilões dedicados ao armazenamento de energia em baterias, o que contribuiu para aproximar as duas discussões. A comparação, entretanto, precisa ser feita com cuidado. Uma usina de biogás não funciona como uma bateria e não deve ser apresentada tecnicamente dessa forma. O que existe em comum entre as duas soluções é a possibilidade de contribuir, cada uma com características próprias, para um sistema que precisa administrar de maneira mais eficiente as diferenças entre os momentos de produção e consumo de eletricidade.

É essa distinção que torna o debate mais interessante.

O biogás não entra nessa discussão porque possa substituir o armazenamento eletroquímico. Ele entra porque é uma fonte renovável cuja produção de eletricidade pode ser controlada e programada de maneira muito diferente daquela observada na geração solar e eólica. Em um sistema com participação crescente de fontes dependentes das condições meteorológicas, essa característica pode adquirir valor adicional.

O crescimento das renováveis está mudando as necessidades do sistema

O Brasil já possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo. Segundo o Balanço Energético Nacional 2026, da Empresa de Pesquisa Energética, as fontes renováveis responderam por 86,8% da oferta interna de eletricidade em 2025. A presença de solar e eólica continua crescendo rapidamente e essas duas fontes, somadas, já representam uma parcela expressiva da geração brasileira.

Essa expansão possui enorme importância para a descarbonização do setor elétrico, mas também modifica a forma de operação da rede. A geração solar acompanha a disponibilidade de radiação ao longo do dia. A geração eólica depende do comportamento dos ventos. São fontes capazes de produzir grandes volumes de energia com baixas emissões, mas cuja disponibilidade não pode ser determinada pelo operador do sistema.

Isso não representa uma deficiência dessas tecnologias. É simplesmente uma característica física que precisa ser incorporada ao planejamento.

À medida que a participação dessas fontes aumenta, o restante do sistema precisa se adaptar com mais rapidez às variações da produção. Em determinados períodos do dia pode existir elevada disponibilidade de energia solar, enquanto poucas horas depois essa produção cai justamente quando parte importante da demanda permanece elevada. O mesmo raciocínio vale para períodos de maior ou menor disponibilidade eólica.

O desafio deixa, portanto, de ser apenas garantir energia suficiente ao longo do ano. É necessário garantir que o sistema possua recursos capazes de responder às mudanças que ocorrem ao longo das horas.

Esse fenômeno já aparece com clareza nas discussões conduzidas pela Empresa de Pesquisa Energética e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. A EPE passou a tratar capacidade e flexibilidade como atributos específicos do planejamento energético, enquanto o ONS vem alertando para a necessidade de novos recursos para administrar excedentes de geração e variações de carga.

Esse novo cenário ajuda a explicar a ascensão das baterias, mas também amplia o espaço para outras tecnologias capazes de oferecer energia quando necessário.

Biogás ganha novo papel estratégico no sistema elétrico brasileiro

Por que o biogás é diferente das renováveis variáveis

O biogás é produzido a partir da decomposição de matéria orgânica em condições controladas ou a partir da captura do gás gerado naturalmente em estruturas como aterros sanitários. Pode ter origem em resíduos agropecuários, agroindustriais, urbanos, estações de tratamento de esgoto e diversos outros fluxos orgânicos.

Quando utilizado para geração elétrica, o combustível alimenta equipamentos capazes de produzir eletricidade de maneira programável. Dependendo da configuração do projeto, o gás pode ser armazenado por determinado período antes de sua utilização, permitindo algum grau de separação entre o momento em que o combustível é produzido e aquele em que a energia elétrica é efetivamente gerada.

É justamente essa característica que diferencia o biogás da geração solar e eólica.

Uma usina solar produz quando existe radiação suficiente. Uma instalação a biogás pode manter a produção do combustível e organizar sua conversão em eletricidade de acordo com a estratégia operacional adotada, dentro dos limites técnicos disponíveis.

Isso significa que o biogás pode oferecer uma forma de geração renovável despachável.

O termo é importante porque evita simplificações. Não se trata de afirmar que uma usina a biogás possui a mesma velocidade de resposta de uma bateria ou que consiga armazenar energia por tempo indefinido. Cada projeto possui limites relacionados ao volume de gás disponível, à capacidade de armazenamento, ao desempenho dos motores, à pressão, ao perfil de produção e à própria infraestrutura instalada.

A contribuição precisa ser medida em função dessas características.

Ainda assim, o princípio é relevante: o combustível pode ser produzido a partir de uma fonte renovável e utilizado para geração em momentos definidos pela operação da instalação.

A Agência Internacional de Energia já destacou esse potencial do biogás, observando que plantas desse tipo podem operar de forma flexível e contribuir para sistemas com maior participação de fontes variáveis. A possibilidade de armazenar o gás antes de sua conversão em eletricidade cria um recurso energético distinto do armazenamento tradicional em baterias, mas que pode contribuir para algumas das mesmas necessidades gerais do sistema.

A questão regulatória passa, portanto, a ser menos sobre enquadrar o biogás como uma determinada tecnologia e mais sobre identificar quais serviços ele consegue efetivamente entregar.

O debate sobre baterias abriu uma discussão maior

Os primeiros leilões brasileiros dedicados ao armazenamento de energia representam um marco importante. Os certames previstos para dezembro de 2026 foram estruturados para contratar sistemas de baterias capazes de oferecer potência ao sistema por períodos definidos, com início de operação previsto para 2028.

O interesse dos investidores mostra a dimensão dessa nova fronteira. A EPE registrou milhares de projetos de armazenamento para os leilões de 2026, somando uma capacidade cadastrada muito superior àquela que deverá ser efetivamente contratada.

Esse movimento é importante porque as baterias oferecem características especialmente adequadas para determinados desafios. Podem absorver eletricidade em momentos de maior oferta, armazená la e devolvê la ao sistema algumas horas depois. Também conseguem responder rapidamente a comandos operacionais, o que amplia sua utilidade em diferentes serviços elétricos.

Entretanto, a entrada das baterias no sistema brasileiro acabou produzindo um efeito adicional: colocou a discussão sobre o valor do tempo da energia no centro do planejamento.

Até pouco tempo, grande parte do debate energético era conduzida com base na quantidade produzida. O avanço das renováveis variáveis mostra que isso já não é suficiente. Um megawatt hora produzido ao meio dia, em uma região com excesso de geração solar, pode ter um valor sistêmico muito diferente daquele disponível no início da noite, quando a geração fotovoltaica desaparece.

Isso faz com que tecnologias capazes de deslocar, armazenar ou programar energia ganhem importância.

É nesse ponto que a defesa do biogás deve ser compreendida.

A proposta da Abrema não significa que usinas de aterro devam ser simplesmente inseridas nos mesmos contratos desenhados para baterias. As características são distintas e os requisitos de um leilão específico de armazenamento foram construídos para equipamentos com comportamento próprio.

O debate que se abre é outro: os mecanismos futuros de contratação devem considerar apenas tecnologias previamente definidas ou podem evoluir para produtos baseados nos serviços de que o sistema realmente necessita?

Essa pergunta tem implicações muito maiores do que o próprio biogás.

O valor do biogás também está na origem do combustível

Existe outro fator que torna essa discussão particularmente relevante no caso do biogás de aterros.

A decomposição da matéria orgânica gera metano, um gás de efeito estufa com forte impacto climático. Quando esse gás é liberado diretamente para a atmosfera, contribui para o aquecimento global. Quando captado, pode ser queimado de maneira controlada ou aproveitado energeticamente.

A geração elétrica a partir do biogás permite, portanto, unir duas agendas que durante muito tempo foram tratadas separadamente: gestão de resíduos e produção de energia.

Ao capturar o gás gerado em aterros e utilizá lo para produção de eletricidade, o empreendimento reduz a emissão direta de metano e cria um recurso energético que pode substituir outras formas de geração.

Essa dupla função ajuda a explicar por que o biogás possui uma posição específica dentro da transição energética.

O Brasil possui um volume significativo de resíduos orgânicos provenientes das cidades, da agropecuária, da indústria de alimentos, do setor sucroenergético, de frigoríficos, de sistemas de saneamento e de diferentes cadeias produtivas. Parte desse material ainda representa um passivo ambiental, embora contenha energia que pode ser recuperada.

A Empresa de Pesquisa Energética já estimou um potencial técnico expressivo de produção de biogás a partir de resíduos no país, indicando que a disponibilidade do recurso é muito superior à utilização atual.

Transformar esse potencial em projetos economicamente viáveis, entretanto, exige infraestrutura, escala, acesso ao sistema elétrico ou às redes de gás, modelos de financiamento e condições regulatórias adequadas.

Também existe uma escolha sobre qual será o melhor uso para esse combustível em cada região.

Em determinados projetos, purificar o biogás e transformá lo em biometano pode gerar maior valor ao substituir gás natural ou diesel em processos industriais e transportes. Em outros, produzir eletricidade de forma controlável pode ser mais interessante.

Não existe uma resposta única.

Essa diversidade de aplicações é justamente uma das forças do biogás, mas também exige uma avaliação econômica mais sofisticada. O recurso deve ser direcionado para onde conseguir gerar maior benefício energético, ambiental e econômico.

A discussão não envolve apenas biogás e baterias

Quando o tema é observado de maneira mais ampla, fica claro que o futuro da operação elétrica brasileira dependerá de uma combinação de diferentes recursos.

A biomassa, por exemplo, já possui participação relevante na matriz brasileira e apresenta algumas características semelhantes às do biogás em termos de controle da geração. Usinas movidas a bagaço de cana, resíduos florestais ou outros combustíveis renováveis podem ajustar sua produção dentro das limitações de cada processo e da disponibilidade do combustível.

As hidrelétricas com reservatórios historicamente desempenham uma função central na capacidade de modulação do sistema brasileiro. Durante décadas, a flexibilidade proporcionada pelos reservatórios permitiu ao país integrar diferentes perfis de geração e responder às variações da demanda.

Esse papel continua importante, mas está submetido às condições hidrológicas, às restrições de uso da água e às novas características do sistema.

Também existe uma contribuição crescente do lado do consumo.

Programas de resposta da demanda permitem que consumidores reduzam ou desloquem temporariamente seu consumo em momentos de maior necessidade do sistema. Em determinadas situações, reduzir 100 MW de consumo pode produzir um efeito operacional semelhante ao de adicionar 100 MW de geração.

O ONS já utiliza mecanismos de resposta da demanda e essa estratégia tende a ganhar relevância à medida que digitalização, medição e automação permitem uma participação mais ativa dos consumidores.

As redes também fazem parte da solução. Uma transmissão mais robusta permite transportar energia entre regiões com diferentes padrões de geração e consumo, reduzindo a necessidade de resolver todos os desequilíbrios localmente.

Quando esses recursos são colocados lado a lado, fica evidente que o novo sistema elétrico não será construído por uma única tecnologia.

Ele dependerá da complementaridade.

O desafio será remunerar atributos e não apenas megawatts hora

Durante grande parte da história do setor elétrico, a energia produzida foi a principal referência econômica para a contratação de geração. Esse modelo continua essencial, mas começa a ser insuficiente para representar todas as necessidades de um sistema com elevada participação de fontes renováveis variáveis.

Uma usina pode produzir grandes volumes de energia ao longo do ano e oferecer pouca capacidade de resposta em determinados horários. Outra pode gerar menos energia total, mas possuir elevada disponibilidade exatamente nos momentos em que o sistema está pressionado.

Esses dois empreendimentos entregam serviços diferentes.

A discussão sobre biogás é importante porque evidencia essa mudança.

Se o sistema precisar contratar potência disponível durante quatro horas no início da noite, é possível estabelecer critérios técnicos para aquele produto. Se precisar de uma resposta quase instantânea durante alguns minutos, outro tipo de tecnologia provavelmente será mais adequado. Se a necessidade for energia disponível durante períodos mais longos, novamente o conjunto de soluções muda.

O caminho mais eficiente pode estar na definição do serviço antes da definição da tecnologia.

Essa abordagem não significa defender uma neutralidade tecnológica absoluta. Cada mecanismo precisa estabelecer requisitos capazes de garantir que os recursos contratados realmente respondam à necessidade existente. Mas permite ampliar a competição sempre que tecnologias diferentes forem capazes de entregar resultados equivalentes.

Nesse ambiente, baterias podem ser a alternativa mais eficiente para determinadas aplicações, enquanto biogás, biomassa, hidrelétricas, resposta da demanda ou outras tecnologias podem apresentar vantagens em situações distintas.

A questão deixa de ser qual fonte é melhor e passa a ser qual recurso entrega melhor o serviço necessário.

O biogás começa a ocupar uma posição mais ampla na transição energética

A mudança mais interessante provocada por esse debate talvez esteja justamente na forma como o próprio biogás começa a ser percebido.

Durante muito tempo, ele foi tratado quase exclusivamente como uma tecnologia de aproveitamento de resíduos. Depois, com a expansão do biometano, passou a integrar a discussão sobre combustíveis renováveis e descarbonização do transporte pesado e da indústria.

Agora surge uma terceira dimensão.

O biogás começa a entrar no planejamento do sistema elétrico como uma possível fonte renovável capaz de oferecer geração controlável.

Essas funções não são excludentes. Elas demonstram a versatilidade do recurso.

Um mesmo país pode utilizar biogás para produzir eletricidade em determinadas regiões, transformar o combustível em biometano em outras, atender necessidades industriais, substituir combustíveis fósseis em transportes e reduzir emissões provenientes da decomposição de resíduos.

Essa diversidade torna o planejamento mais complexo, mas também cria oportunidades que poucas fontes possuem.

Para o Brasil, o tema é especialmente estratégico porque existe um conjunto favorável de condições. O país produz grandes volumes de biomassa e resíduos orgânicos, possui um setor agroindustrial desenvolvido, uma indústria de biocombustíveis consolidada e um sistema elétrico cuja participação de renováveis variáveis cresce rapidamente.

Ao mesmo tempo, ainda existe um grande potencial energético desperdiçado em aterros, sistemas de tratamento, propriedades rurais e plantas industriais.

A discussão sobre flexibilidade do sistema pode contribuir para criar uma nova fonte de valor para parte desses projetos.

Isso não significa que todo empreendimento de biogás deverá migrar para a geração elétrica ou que essa será a aplicação economicamente superior em todos os casos. Significa que o atributo da despachabilidade passa a merecer consideração quando o país analisa o papel futuro dessa fonte.

Uma matriz mais renovável exigirá mais integração entre tecnologias

A expansão das energias renováveis continua sendo uma das principais transformações do setor energético mundial. Solar e eólica apresentam custos cada vez mais competitivos e continuarão ocupando uma parcela crescente da nova capacidade instalada.

O desafio agora é construir a infraestrutura e os mecanismos capazes de aproveitar essa geração de forma eficiente.

A discussão sobre biogás mostra que essa próxima etapa não será simplesmente uma corrida para instalar mais uma determinada tecnologia.

Será uma fase de integração.

Solar e eólica poderão fornecer volumes crescentes de eletricidade de baixa emissão. Baterias poderão armazenar excedentes e responder rapidamente às necessidades do sistema. Hidrelétricas continuarão exercendo funções importantes de modulação. Redes permitirão transferir energia entre regiões. Consumidores poderão ajustar sua demanda. Biomassa e biogás poderão oferecer geração renovável controlável em determinados contextos.

Nenhum desses recursos elimina a necessidade dos demais.

A maturidade da transição energética brasileira dependerá justamente da capacidade de reconhecer essas diferenças e utilizá las de forma complementar.

É nesse contexto que o biogás começa a ganhar uma relevância que vai além de sua função tradicional na gestão de resíduos.

Ao transformar matéria orgânica em combustível renovável, reduzir emissões de metano e possibilitar geração elétrica controlável, a fonte reúne atributos que dialogam diretamente com alguns dos desafios que começam a aparecer em uma matriz cada vez mais renovável.

A discussão aberta pela Abrema ainda precisa avançar do campo conceitual para uma análise regulatória e econômica mais detalhada. Será necessário definir quais produtos poderiam ser contratados, quais requisitos técnicos seriam exigidos e de que maneira os benefícios ambientais associados à redução das emissões de metano deveriam ser considerados.

Mas o debate já revela uma mudança importante.

O sistema elétrico brasileiro está deixando de discutir apenas quanto de energia precisa produzir e começando a discutir quando essa energia precisa estar disponível e quais recursos conseguem entregá la com segurança, eficiência e menor impacto ambiental.

Nesse novo cenário, o biogás não precisa ser apresentado como substituto das baterias nem como concorrente das fontes solar e eólica.

Seu papel pode ser mais interessante justamente por ser diferente.

Trata se de uma fonte renovável capaz de transformar resíduos em energia e, em determinadas configurações, produzir eletricidade de maneira controlável. À medida que o Brasil aumenta a participação de fontes variáveis e passa a valorizar cada vez mais os atributos necessários à operação do sistema, essa combinação pode criar um novo espaço estratégico para o biogás dentro da transição energética brasileira.

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