Com retração prevista de 7% na expansão em 2026, setor fotovoltaico revisa expectativas, cobra ajustes em rede e regulação e tenta transformar o freio em oportunidade de maturidade
A realização da COP30 em Belém marca mais do que um capítulo importante da diplomacia climática: ela reposiciona o Brasil no mapa global de capital como um dos destinos mais atrativos para investimentos em energia limpa, infraestrutura verde e bioeconomia. Ao combinar uma matriz elétrica já majoritariamente renovável com um pacote de novos compromissos, o país entra na fase pós‑COP30 com algo que investidores valorizam muito: direção clara, abundância de recursos naturais e um enorme espaço de crescimento em soluções sustentáveis.
2025 consolida a eletricidade no centro do sistema energético global, segundo o World Energy Outlook da IEA. Nesta “idade elétrica”, renováveis puxam crescimento, mas riscos geopolíticos, acesso desigual, infraestrutura defasada e persistência dos fósseis tornam indispensável cooperação entre governos, empresas e consumidores.
Com a COP30 em Belém, o Brasil tem a chance de se tornar uma superpotência da energia limpa. Analisamos o avanço da energia solar e eólica, os desafios de infraestrutura e o caminho para a liderança.
O Brasil entra oficialmente na rota da COP 30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada de 10 a 21 de novembro de 2025, em Belém (PA).
A IRENA divulgou um relatório que avalia o progresso global rumo às metas do UAE Consensus — acordo firmado na COP28 para triplicar a capacidade renovável e dobrar a eficiência energética até 2030. O estudo mostra um avanço expressivo na geração limpa, com 582 GW adicionados em 2024, mas alerta que a intensidade energética global melhorou apenas 1%, quando seria necessário um avanço anual de 4% a 5%. O documento destaca a urgência de políticas públicas, investimentos e cooperação internacional para evitar que a transição energética perca ritmo antes da COP30 no Brasil.
A transição energética — a migração de um sistema baseado majoritariamente em fontes convencionais para um modelo com participação crescente de energias limpas, distribuídas e intermitentes — exige muito mais do que a adição de novas usinas solares ou parques eólicos.
Nos últimos dias, o setor elétrico brasileiro voltou ao centro das discussões estratégicas do mercado de energia. Três fatores principais chamaram atenção: a revisão para baixo da carga de energia pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a contradição entre a abundância de energia solar e as tarifas elevadas para o consumidor, e a nova Medida Provisória nº 1.300, que ameaça inviabilizar parte dos projetos de geração distribuída no país.
Em um país de dimensões continentais e insolação privilegiada, a energia solar deixou de ser uma promessa para se tornar um dos pilares da matriz energética brasileira. Enquanto o mundo busca saídas para a crise climática, o Brasil avança a passos largos, não apenas expandindo sua capacidade, mas inovando na forma como o faz. A […]
O Brasil enfrenta um paradoxo energético: apesar da expansão recorde da energia solar, o país corre um risco concreto de déficit de potência a partir de 2027. O alerta, fundamentado em estudos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), aponta para uma vulnerabilidade crítica no início da noite. Neste horário, a geração solar cessa abruptamente, enquanto a demanda por eletricidade atinge seu pico, criando um desafio operacional conhecido como "rampa".